— Por que não existem no mercado europeu motos novas adequadas para viajar no mercado no segmento de menor cilindrada?
Até há bem pouco tempo, um dos temas mais comuns nas discussões de viajantes? de moto gravitava em volta desta questão. Agora, essas animadas tertúlias virtuais estão algo diferentes, pois os fabricantes estiveram atentos e foram desenhando e colocando no mercado motos mais pequenas, mais ágeis e, até, mais simples. Visto a uma certa distância, poder-se-ia pensar que este caminho já havia começado a ser trilhado por construtores de menor dimensões (CCM, CSC Cyclone, AJP, Mash para citar apenas alguns), com ofertas entre os 250, 400 e 700 cc de capacidade de motor, pensadas na versatilidade, leveza e opções de carga e suspensão que a viagem recomendaria, entre outros aspectos.
As grandes marcas mantiveram o segmento mais alto das grandes cilindradas bem vivo e a concorrência nunca esteve mais feroz que hoje, porventura. Vemos vários construtores a ombrear a liderança das maxi-trails e das desportivas de turismo. Não é pois uma surpresa que, ao folhear esta edição, descubramos nela histórias e viagens feitas por modelos grandes e pequenos.
Dois extremos saltam à vista — KTM 1290 Adventure R e a Honda CRF 250 Rally. Separadas por 90 kg e quase um litro de capacidade de motor, são propostas bem distintas para viajar, capazes de satisfazer um leque amplo de preferências individuais.
Pensar-se-ia que a discussão se poderia então virar para as dimensões médias — por que não há mais motos para viajar nos segmentos intermédios? Voltando a estas páginas, vemos a BMW G650GS do Rui Correia na Indonésia, reencontramos uma Triumph Tiger 800 XC no Sertão brasileiro, ou a Tracer 900 GT como a mais recente proposta desportiva de turismo da Yamaha.
Parecem-nos tempos animadores estes, quando as opções pululam e o mercado tem agilidade e empenho suficiente demonstrado em ouvir e adaptar a sua oferta.
Começámos a primeira TREVL encorajando que se deve viajar com a melhor moto do mundo — a que temos na garagem, cara ou barata, velha ou nova, pequena ou grande. Hoje, escrevemos estas mesmas palavras com a determinação de quem está certo.