Não é a primeira vez que as páginas de uma TREVL se escrevem no feminino – nem a última – tendo começado com Alicia Sornosa na TREVL 5. Na última capa, Lea lembrou-nos o seu exemplo de força e determinação na volta que deu ao mundo. Nesta, Anabela contempla as montanhas da Geórgia ao lado da sua Poderosita, partilhando as páginas com Aida, uma portuguesa nascida em Montejunto a viver em Long Island, Nova Iorque, desde muito nova.
Aida propôs-se a seguir um sonho que a vida lhe fora adiando e, já nos seus quarenta, aproveita uma oportunidade que reconhecer como única e a levou a embarcar numa viagem que não se cansará de a surpreender. Começa a sua volta ao mundo de moto no país que a acolheu, de leste a poente, descendo depois para sul, onde entrará no México pela Baja California. Vai revelando momentos de camaradagem enquanto se surpreende com a bondade dos estranhos e a beleza de um subcontinente duro e belo.
No mesmo continente onde a nova expedição «SulAmericaNorte 2018» desembarcará, começando tudo no Barreiro antes de seguir para Londres onde entregam as motos que reencontrarão em Buenos Aires, Argentina. Alguns dos portugueses da expedição «Lisboa – Beijing – Lisboa» de há 3 anos mantém-se no grupo, enquanto se juntam novas caras e perspectivas diferentes, como o realizador João Monteiro e Chaves.
Que outros destinos nos esperam aqui, nas páginas de uma TREVL futura?
Talvez algures perdidos pelo antigo Crescente Fértil, percorrendo os desertos e montanhas de uma Jordânia adiada, nos colonatos de Jerusalém ou nas ruas desaparecidas de Damasco, escombro de uma Humanidade falhada, lembrando-nos quão efémera é a vida e porque merece ser vivida. De moto e com as pessoas que, lá, nos ajudarão a recordar o que já não existe e poderia ter sido, a construir uma memória. E, como na vida, cada TREVL escreve-se para que se não deixe esquecer, mais do que para partir e ir ver o mundo. Escrevemos cada TREVL para nos recordar que é importante viver e ser feliz, contagiando as pessoas em nossa volta e dando-nos o tempo para as escutar.
Queremos sempre que esta seja a TREVL que interrompas a meio. Que, no ímpeto da decisão de partir, a abandones sobre o sofá onde ambos se cobrirão de pó.