A primeira TREVL que saíu para as bancas há três anos falava de teimosia — era essa a característica que a nossa equipa assumia quando insistia num formato impresso numa altura em que tudo apontaria para o digital.
Esta 14.ª TREVL vai para a gráfica perto do anúncio do final da revista Motociclismo portuguesa, que terminou junto com muitos mais títulos do mesmo grupo editorial. É uma revista que, no mundo das motos, nos habituámos a ver por perto, nos concessionários e oficinas, mas também na casa dos amigos, sobre as mesas. Sobre essas mesmas mesas começámos a ver outras coisas, como tablets. Estes — não sendo os únicos responsáveis — simbolizam os tempos actuais onde a indústria de conteúdos ganhou dimensões diferentes.
É discutível se a Motociclismo seria uma concorrente da TREVL, ainda que a edição anual «Motociclismo Viagens» servisse o mesmo público. O fim desta publicação está longe de ser algo bom para nós, porque é na força enquanto comunidade que ganhamos todos. Não é sempre verdade ser algo positivo quando a nossa concorrência desaparece, porque esta na realidade anda em palcos distintos.
Hoje nas bancas, como na cadeira vazia da mesa posta de uma família que chora quem se perdeu, há um espaço onde estava alguém para onde nos habituámos a olhar procurando uma referência num dado momento da nossa vida. Um espaço que agora vemos vazio. E, como nas famílias, celebramos a memória de quem nos deixa continuando com força e determinação.